A origem do culto de Tara é descrita
pelo famoso escritor e historiador medieval Taranatha no seu livro de
1608, A origem do tantra de Tara.
Segundo Taranatha, tudo se passou numa Era
(ou eon) muito antiga. Um eon tem a duração do Universo. Ou
seja, o tempo entre o aparecimento e o desaparecimento de todo o Universo - isto
é um eon.
Havia, pois, numa Era muito antiga, uma
princesa chamada Lua de Sabedoria, que era discípula de um Buddha,
que era seu Guru. Ela tinha tanta devoção por seu Guru que um dia cobriu o
equivalente a 19.000 m3 de preciosos oferecimentos para ele.
Esta princesa atingiu as mais altas
realizações espirituais, graças provavelmente à devoção que tinha ao seu Guru.
Por isso diz-se que o Guru é a fonte de todas as realizações.
Assim alguém lhe disse que, como um dos
muitos resultados de sua prática, ela ia renascer como homem. O nascer homem era
considerado mais benéfico do que nascer mulher, pois assim poderia viver como
iogue na floresta, ou numa gruta deserta, sem ser molestada.
Mas a princesa não quis. Ela disse que havia
muitos iluminados sob a forma masculina, e que ela queria tornar-se uma
iluminada sob a forma feminina.
Após uma longa meditação em retiro ela
atingiu o altíssimo estado de Anutpada ou não origem.
Aquele é o mais elevado nível de meditação existente, quando podia ver o real
estado da mente e os fenômenos como "incriados", sem início, sem limites.
A partir de então passou a ser conhecida como
Tara (Tare), ou Drolma que quer dizer salvadora,
ou aquela que libera. Tara é uma palavra sânscrita.
Segundo a lenda, muito tempo depois, Ela
prometeu ao Buddha Amoghasidhi defender a todos os seres na mais profunda
vastidão das dez direções, passando a ter vários nomes, como imediata e
heróica, até se tornar por sua atividade a corporificação de todos os
Buddhas.
A partir de então se inicia o culto e prática
de Tara como a ação concentrada de todos os Budas, o seja, o culto da mãe
Tara.
Foi o próprio Buddha Sakyamuni que na nossa
Era revelou o Tantra de Tara, como a mãe de todos os Buddhas.
Tara é uma deidade meditacional,
corporificação da atividade de todos os Buddhas.
Tara é conhecida como Arya Tare, a
Nobre Tara, a Grande Rápida Protetora, a Eliminadora dos Oito Medos.
Segundo Geshe Lobsang Tenpa seu mantra,
Om Tare Tuttare Ture Soha, significa:
Om - São as qualidades do
corpo, palavra e mente dos Buddhas. É a meta.
Tare - Significa aquela que
liberta.
Tuttare - Que elimina todos
os medos.
- Apego (enchente).
- Ira (fogo).
- Ignorância (elefante).
- Inveja (serpente).
- Orgulho (leão).
- Avareza (correntes da prisão).
- Visões erradas (ladrões).
- Dúvida (fantasmas).
Ture - Que concede todo
sucesso.
Soha - Que as bênçãos de
Tara contidas no mantra se concretizem.
(Parte deste texto foi publicado no jornal
Ganesha, sem autoria e atribuído a outra pessoa).