Biografia - Albania de Carli

 

ALBANIA DE CARLI

 

Meu encontro com TARA...

 

Com a intenção de poder compartilhar os benefícios que tenho recebido, ao longo dos últimos anos, graças ao TDSA, principalmente em suas atividade pautadas na "Dança Mandala das 21 Preces de Tara”. Espero que esse relato possa ajudar a muitas pessoas, principalmente mulheres, a perceberem sua expressão e qualidades sagradas. 

 

Há quase 10 anos atrás, minha vida virou de cabeça para baixo.

Tudo que eu havia construído até então, e que de certa forma, me parecia estável, caiu de uma só vez.

No aspecto profissional: - estava deixando uma carreira de 25 anos como psicóloga clinica para ser cozinheira.

No aspecto familiar e afetivo: o meu casamento de 23 anos estava correndo mais um sério risco de separação.

No aspecto econômico, nem preciso falar, não é mesmo? Sem nenhuma reserva financeira, e começando um novo negócio a sensação era de falência.

Sob o ponto de vista de saúde física e emocional, quase com 50 anos e com todos os sintomas da menopausa, marcava-se definitivamente o meu processo de envelhecimento total.

 

Além disso, eu estava me desligando de um grupo, que havia coordenado por 5 anos, por uma mudança na condução das atividades, o que gerou muitos impasses, desarmonia, competitividade, desconfiança, destrutividade, decepção e muita, muita pressão.

A pressão gerada sobre mim foi tão intensa, que me fez em muitos momentos desconfiar de minha sanidade mental.

Seguiu-se ainda uma tristeza imensa e uma sensação de solidão que foi silenciosamente tomando conta de meus pensamentos, e minha auto estima estava quase zero.

Bem, se você já passou por algo parecido, sabe do que estou falando, se não, imagine.

 

E foi exatamente assim que fui para o meu primeiro encontro com “A Dança Mandala das 21 Preces de Tara”.

Fora de minha cidade natal, longe dos que me apoiavam, e com duas amigas, companheiras em curiosidade, mas não em objetivos.

Seguimos em silêncio em uma viagem de 3 horas de avião, para o que seria o meu primeiro retiro com danças.

Eu já havia feito muitos retiros: dias em silêncio e de práticas meditativas variadas, ligados ao budismo Mahayana e ao Varjayana.

 

Pela primeira vez, encontrei Prema Dasara, uma grata e imensa surpresa.

Fui recebida com carinho e tão bem acolhida que depois de dois dias comecei a relaxar um pouco, mas ainda não conseguia dançar.

Nem o nível tão baixo de minha estima, nem minha respiração, quase sempre muito curta, nem o intenso sofrimento, me deixavam realizar os passos e gestos, por mais simples que fossem, e eu chorava silenciosamente durante as danças que não conseguia realizar.

A sensação era de completa inadequação.

 

Tive uma entrevista individual com Prema e falei superficialmente sobre meu sofrimento.

Como eu já tinha recebido alguns  ensinamentos budistas sobre como lidar com emoções negativas, compreendia teoricamente como me curar, mas durante os 5 intensos meses em que passei sofrendo, os ensinamentos budistas não pareciam ajudar muito e nunca havia pensado que a prática da ”Dança Mandala das 21 Preces de Tara” pudesse me ajudar.

Naquela ocasião, Prema me ofereceu ensinamentos preciosos e inesquecíveis a respeito das identidades. Serei sempre grata a ela, aos seus ensinamentos e a sua imensa disponibilidade para ajudar.

Seguiram-se os dias e confesso tive vontade de desistir muitas vezes.

Meus movimentos não entravam no ritmo e o sentimento de inadequação parecia não ter fim.

 

Outra surpresa foi encontrar tantas mulheres, éramos mais de trinta no primeiro encontro, e o grupo vem aumentando ano a ano, com idades, experiências e sonhos muito diversos.

Essa diversidade nos enriquece e gera uma integração alegre.

Precisei silenciar um pouco para perceber que, mais que uma dança, mais que uma coreografia linda, mais do que recitar mantras e preces cantadas... todos os ensinamentos do budismo estão ali, presentes, atuantes, vivos e pulsantes pelos movimentos.

 

Lentamente comecei a perceber através da dança Mandala das 21 Preces de Tara, que de forma sutil e sem esforço, alguma coisa estava mudando em mim.

As imagens não eram mais tão aterrorizantes e começou a surgir uma sombra de radiância junto com algum sorriso e certo compasso, quando o corpo começou sua própria dança.

O que até então eram “dois pés esquerdos”, foram se diferenciando e permitindo que o meu ritmo se modelasse.

Comecei a dançar, meditar e minha respiração normal foi recuperada.

Quanto mais aquele grupo de mulheres dançava, sorria e meditava juntas, mais o meu bem estar aumentava.

 

Durante as práticas, observamos, meditamos e dançamos as qualidades do feminino Iluminado - as 21 qualidades de Tara.

Cada qualidade tem sua prece específica, que são cantadas e acompanhadas por meditação e dança.

Um momento mágico.

Desta magia surge uma compreensão sutil da dimensão do nosso potencial humano para realizar qualidades iluminadas que até então desconhecíamos, e observamos o nosso surgimento de uma forma diferente.

Verdadeiramente compassivas, amorosas e com novas habilidades, descortinamos um mundo de novas possibilidades.

 

Pela primeira vez compreendi o significado da palavra “empoderamento” que os ensinamentos de Prema tanto falam, e que nos fazem lembrar Paulo Freire e sua Pedagogia do Oprimido. "... empoderar significa ser sujeito ativo em seu próprio processo de mudança e que na verdade, ninguém empodera ninguém, por doação ou mesmo por benevolência, mas o processo de empoderar é interno".

É uma conquista, uma mudança de atitude  que se dá pela reflexão e tomada de consciência das mudanças desejadas para a conquista da liberdade.

 

Percebi também que preciso de uma “ancora” para não perder o foco e me manter empoderada e capaz de beneficiar todos os seres.

Preciso periodicamente renovar os meus votos de me manter direcionada para ser um Ser Humano cada vez melhor.

 

O retiro é concluído com uma oferenda.

Os participantes oferecem a mandala, quase sempre a um Lama e a uma plateia de convidados.

Esse é um momento alto do retiro onde plateia e dançarinas envolvem-se na energia radiante da Deusa Tara.

 

Benefícios:

 

1) Grande oportunidade de estar por dias, fora do ambiente turbulento das atividades diárias, faz com que possamos observar as dificuldades de forma diferente;

 

2) Uma rara oportunidade de estar na presença de Prema, recebendo seus ensinamentos, dançando e refletindo sobre as qualidades do feminino iluminado, meditando sobre os elementos e percebendo a interconexão de todas as coisas, faz com que percebamos também a impermanência de tudo o que nos cerca;

 

3) Ao conviver com muitas mulheres por tantos dias, percebemos a diversidade a riqueza e a oportunidade de crescimento permanente em muitas dimensões;

 

4) Muitos insights surgem e permaneceram surgindo mesmo depois da conclusão do  retiro. A maior parte deles relacionados às experiências de causalidade (causa e efeito – carma) e de certo apego as identidades;

 

5) A meditação, a dança e o contato com as qualidades de Tara, atuam de forma intensa na redução do sofrimento, re-abrindo o espaço para uma real transformação;

 

6) Uma oportunidade para aumentar e fortalecer a percepção de que sempre é possível mudar na direção das mais elevadas qualidades humanas.

 

OM TARE!